Rossio
é sinónimo de um espaço largo para fruição e convívio da população pelo que não
se estranha que ainda hoje a Praça Dom Pedro IV seja conhecida como Rossio.
Rossio é o «nome próprio dado a vários campos ou
largos citadinos de Portugal, antigamente – como, por exemplo, ainda hoje, o de
Évora –, fora das muralhas ou cerca urbana; neles se realizavam, e ainda
realizam, feiras; o mesmo se deu com o Rossio (Praça D. Pedro IV) de Lisboa.
Primitivamente, depois do terreno desbastado e preparado, serviam os rossios
para semeadura de cereais, para hortas ou para pastagem de gados da comunidade.
Assim se tornaram pontos de reunião dos moradores e centros comerciais. » Por
isto, um pouco por tudo o país encontramos Rossios de que são ainda hoje
exemplo os Largos do Rossio na Aguieira, em Aveiro, na Gafanha da Nazaré, na
Guia de Leiria, em Lagos, Mangualde, Mem Martins ou São João das Lampas do
concelho de Sintra, para além da povoação Rossio ao Sul do Tejo do concelho de
Abrantes. Em Lisboa também ainda temos hoje o antigo Rossio de Palma na
freguesia de São Domingos de Benfica e por herança da Expo 98 ficaram o Rossio
dos Olivais e o Rossio do Levante, na freguesia do Parque das Nações.
Rossio foi também a denominação original desta
artéria lisboeta hoje contida na confluência da Rua da Betesga, Rua Augusta,
Rua dos Sapateiros, Rua Áurea, Calçada do Carmo, Rua do Amparo e Praça Dom João
da Câmara. Em 1419 já aparece referida numa postura em que o corregedor, os
vereadores, o procurador e os homens bons da cidade de Lisboa proíbem o
lançamento de esterco, terras e outras sujidades no Rossio da cidade. No séc.
XVIII o espaço já surge denominado como Praça do Rossio até que há pouco mais
de 180 anos, por decreto governamental de 31 de outubro de 1836, passou a
designar-se Praça de Dom Pedro, denominação que o Edital municipal de 26 de
março de 1971 alterou para Praça Dom Pedro IV para evitar equívocos e que a Ata
da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 19 de março de 1971 esclarece
«Que a nomenclatura da Praça de D. Pedro seja alterada para: Praça de D. Pedro
IV», pelo simples motivo de «Já que assim consta dos letreiros ali afixados há
longo tempo e ainda porque dessa forma melhor se identifica a figura histórica
homenageada».
Este Rei também surge na toponímia de
Felgueiras, Queluz e Valongo como D. Pedro IV enquanto no Brasil aparece como
D. Pedro I na toponímia da Baía, de Goiânia, Minas Gerais, Paraíba ou Rio de
Janeiro o que não se estranha já que reinou em ambos os países. O homenageado é
D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, que recebeu os cognomes de O Libertador
e Rei Soldado, de seu nome completo Pedro de Alcântara Francisco António João
Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de
Bragança e Bourbon (Palácio de Queluz/12.10.1798 – 14.09.1834/Queluz), filho de
D. João VI e da sua esposa, D. Carlota Joaquina. Tendo a coroa portuguesa
fugido das invasões francesas residiu no Brasil entre 1807 e 1831. Por força da
Revolução Liberal de 1820 no Porto os seus pais regressaram a Portugal e foi
nomeado regente em 1821. No ano seguinte, declarou a independência do Brasil,
face ao domínio português. Assim, foi D. Pedro I, o primeiro imperador do
Brasil, no período de 7 de setembro de 1822 (O grito do Ipiranga) a 7 de abril
de 1831, ano em que abdicou para assumir a coroa portuguesa, como D. Pedro IV,
em defesa dos direitos da sua filha, D. Maria da Glória, que virá a ser a
rainha D. Maria II (Rio de Janeiro/04.04.1819 – 15.11.1853/Lisboa), e que
significativamente dá nome ao Teatro instalado na Praça D. Pedro IV, tendo este
aberto as suas portas em 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27.º
aniversário da rainha D. Maria II.

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