A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos de Évora, em Portugal. Está situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no século XVII por iniciativa de três monges franciscanos que, dentro do espírito da altura (contra-reforma religiosa, de acordo com as normativas do Concílio de Trento), pretendeu transmitir a mensagem da transitoriedade da vida, tal como se depreende do célebre aviso à entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Além da questão espiritual, também havia uma questão física, qual seja; existiam, na região de Évora, quarenta e dois cemitérios monásticos que estavam a ocupar demasiado espaço e locais estratégicos que muitos pretendiam utilizar para outros fins. Assim, decidiram retirar os esqueletos da terra e usá-los para construir e decorar a capela
A capela, construída
no local do primitivo dormitório fradesco é formada por 3 naves de 18,70 m de
comprimento e 11m de largura, entrando a luz por três pequenas frestas do lado
esquerdo.
As suas paredes e os
oito pilares estão "decorados" com ossos e crânios ligados por
cimento pardo. As abóbadas são de tijolo rebocado a branco,
pintadas com motivos alegóricos à morte. É um monumento de uma arquitectura
penitencial de arcarias ornamentadas com filas de caveiras, cornijas e naves
brancas. Foi calculado à volta de cinco mil ossos, entre crânios, vértebras, fémures e
outros, provenientes dos cemitérios, situados em igrejas e conventos da cidade,
e que foram ligados com cimento pardo e estão dispostos pelas paredes, teto,
colunas e mesmo no exterior. Há, ainda dois esqueletos inteiros pendurados por
correntes em uma das paredes, sendo um deles, o de uma criança.[2]
A capela era dedicada
ao Senhor dos Passos, imagem conhecida na cidade como Senhor
Jesus da Casa dos Ossos, que impressiona pela expressividade com que
representa o sofrimento de Jesus Cristo, na sua caminhada com a
cruz até ao calvário.
Entre julho de 2014 e
outubro de 2015, a capela passou uma reforma avaliada em €3,5 milhões, para o
restauro de danos ocorridos com o tempo e construção de um museu de
arte sacra e outro para exposições temporárias
Poema sobre as caveiras
São a minha companhia,
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas
Muitas foram respeitadas
No mundo por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram à vaidade,
E talvez…na eternidade
Sejam causa de seus tormentos.
Poema sobre a existência
Aonde vais, caminhante,
acelerado?
Pára…não prossigas mais avante;
Negócio, não tens mais
importante,
Do que este, à tua vista
apresentado.
Recorda quantos desta vida tem
passado,
Reflete em que terás fim
semelhante,
Que para meditar causa é bastante
Terem todos mais nisto parado.
Pondera, que influído d'essa
sorte,
Entre negociações do mundo
tantas,
Tão pouco consideras na morte;
Porém, se os olhos aqui levantas,
Pára…porque em negócio deste
porte,
Quanto mais tu parares, mais
adiantas.
Este soneto é atribuído ao Padre
António da Ascensão Teles, pároco da freguesia de São Pedro (na
igreja de São Francisco) entre 1845 e 1848.








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